Uma história absurda

Havia, há não muito tempo, uma pequena casa em uma vizinhança afastada da cidade. O casebre era feito de tijolos nus, e servia de moradia para uma pequena família feliz. Ali, a mãe, o pai e os três filhos levavam uma vida modesta e regrada, bem como toda família feliz.

Mas deu certa vez de o filho mais novo do casal, o mais sensível e inteligente deles, investigar a verdadeira natureza da alma humana. Seus esforços, no entanto, o conduziram a angústia e decepção para com o resto da humanidade. Devido ao grande sofrimento em que seu espírito se encontrava o caçula decidiu dar fim à própria vida. Tentou jogar-se do telhado, mas a limitada altura da pequena casa não permitiu que sua vida tivesse fim, deixando-o apenas inconsciente no quintal de chão batido, sendo levado às pressas para o hospital. Sua mãe, ao tomar conhecimento da suposta morte de seu filho, teve um ataque fulminante do coração.

O filho mais velho, atormentado pela morte da mãe e vendo a condição miserável de seu irmão, teve piedade de sua existência inútil e estrangulou-o com suas próprias mãos. O assassino conseguiu fugir do hospital, mas foi morto alguns anos depois por alguém ainda mais cruel e sádico que ele.

O filho do meio, sem a vocação para o martírio do primeiro e sem o sadismo do segundo, resolveu sair de casa e abandonou seu pai à própria sorte, que acabou morrendo algum tempo depois, não se sabe se de fome, frio ou de uma doença qualquer.

O filho sobrevivente casou-se e teve muitos filhos, os quais povoaram o mundo. A eles passou seu legado de morte, desesperança e abandono.

Esta é a verdadeira origem da humanidade.